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O barril de pólvora da pandemia na África

 


Maiores desafios enfrentados pelo mundo para acabar com a pandemia de covid-19. Os especialistas concordam que os problemas de acesso às doses pelo monopólio exercido pelos países ricos foram o principal fator que explica esses dados, mas não o único. A isso se somam as complicações de distribuição de vacinas que chegam tarde e a tropeções em sistemas de saúde com recursos escassos para realizar complexas campanhas de imunização, além da desconfiança em um continente em que não houve uma estratégia clara e onde a percepção do risco pela covid-19 é menor.


Algo que essa pandemia está nos ensinando é que tudo é global, que é muito importante que as porcentagens de vacinação sejam altas em todos os países para evitar que apareçam novas variantes”, diz Anna Roca, epidemiologista da Unidade da Gâmbia da Escola de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres. “Ainda que na África do Sul tenham sido os primeiros a descobri-la, não está claro onde a ômicron surgiu, mas o que é evidente é que em duas semanas estará presente em muitos países, se transmite com muita rapidez”, acrescenta a especialista.


Baixos recursos é uma ameaça a todos. “Há um ano, quando começamos a ver que alguns países assinaram acordos bilaterais com os fabricantes, alertamos que os mais pobres e vulneráveis seriam pisoteados nessa corrida mundial pelas vacinas. E foi exatamente isso o que aconteceu”, lembrou nessa semana Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), “mas não podemos acabar com essa pandemia se não solucionarmos a crise das vacinas”. Os países ricos receberam 15 vezes mais doses por habitante do que os países de baixa renda, de acordo com a Unicef.


Lixo na África pela escassa margem entre a entrega e sua validade. “A Covax não funcionou como era previsto. Mas nem tudo foi um problema de escassez, também faltou uma estratégia clara”, afirma Eric Delaporte, epidemiologista da Universidade de Montpellier. Manter a rede de armazenamento e chegar além da capital foi um quebra-cabeças para muitos países. Segundo a OMS, uma em cada quatro vacinas enviadas à África não foi administrada.


Confiança necessária. Um exemplo é Senegal. “O país vivenciou um pico de casos durante a terceira onda em julho. As pessoas se preocuparam e foram se vacinar maciçamente, mas em agosto as doses acabaram e muitas ficaram sem a imunização. Quando em setembro chegaram mais vacinas, as pessoas já não voltaram, de modo que no final do mês perderam a validade. Em outubro 200.000 vacinas foram destruídas”, afirma Alice Desclaux, antropóloga médica do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento em Senegal.


Fato, além do monopólio dos países ricos, às restrições à exportação e à falta de transparência dos fabricantes.O grande desafio agora é manter os fornecimentos e torná-los mais frequentes, assim como trabalhar com os países para ampliar sua capacidade de absorver doses. O segundo ponto é importante, já que precisam de tempo para se preparar para qualquer envio de vacinas em grande escala. Nas últimas semanas, os doadores e fabricantes começaram a fornecer dados mais precisos, após um ano em que as doses e a transparência foram muito escassas”, afirma.


Volume de vacinas que normalmente trabalham. Também entregarão a partes da população às que normalmente não precisam se dirigir. Geralmente, as vacinas são administradas em bebês e adolescentes, mas muitos países não contam com um programa de vacinação para adultos. Além disso, se a maioria dos países já implementou campanhas maciças antes, têm um prazo de entrega de um ou dois anos e, portanto, podem planejar em consequência, incluindo ter um fornecimento frequente. E com as vacinas contra a covid-19, estamos falando de um fornecimento que vêm de múltiplas fontes e o momento da entrega é, frequentemente, imprevisível”, informa Alejandra Agudo.


Os números oficiais da pandemia na África 8,7 milhões de casos e 223.000 mortes para 1,3 bilhão de habitantes não refletem a realidade. A escassa capacidade de testagem e o caráter leve e assintomático da imensa maioria das infecções, principalmente pela juventude da população, ocultaram que o vírus circulou muito mais do que dizem as estatísticas. “Agora sabemos pelos estudos de seroprevalência”, comenta Delaporte. “Fizemos uma investigação em seis países da África ocidental e central e, após a segunda onda, havia de 45% a 55% de pessoas com anticorpos que haviam se infectado, principalmente nas grandes cidades”, acrescenta.






FONTE: BRASIL NOTÍCIAS ONLINE 1,MELHOR DO CONTEÚDO ONLINE ...


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