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Hapvida omite morte por covid-19 em declaração

 


Pela operadora de saúde Hapvida, a quarta maior do Brasil. Em 21 dias de internação Barreto viu seu quadro piorar gradativamente, foi intubado, passou por uma traqueostomia, mas não resistiu. Morreu. Na sua declaração de óbito não consta, contudo, a causa que o levou ao hospital, a covid-19. É algo semelhante ao que ocorreu em outra operadora, a Prevent Senior e que vem sendo destrinchado por investigações jornalísticas e pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia do Senado Federal.

Das seis linhas sobre a causa da morte que poderiam ser preenchidas, apenas cinco foram. Na declaração de óbito e na certidão de óbito (essa emitida no cartório) constam que o servidor público morreu de choque séptico, infecção intestinal, infecção do trato respiratório inferior, tendo como a causa real câncer de próstata. Hipertensão arterial sistêmica consta numa segunda parte, onde se descreve outras condições significativas que contribuíram para a morte. “Fiquei sem entender porque não estava o registro de covid-19. Percebi a gravidade depois que surgiram os relatos sobre a fraude da Prevent Senior”, disse ao EL PAÍS o filho de Gileno Barreto, o técnico ambiental Diego Amorim Barreto, 37.

Procurado por um representante do Grupo Hapvida para falar sobre o tratamento de seu progenitor. Queixou-se que os médicos teriam usado indiscriminadamente medicamentos sabidamente ineficazes contra o coronavírus, como a cloroquina. E relatou que o câncer de próstata registrado no documento oficial estava em estágio inicial, fora descoberto havia menos de um mês. Portanto, sem grandes complicações que pudessem resultar no óbito.

Colocá-lo em contato com um representante da direção da empresa, o que não havia ocorrido até esta semana. Ele só foi procurado no dia 29 de setembro, poucos minutos depois de registrar a queixa em um site que compila reclamações de consumidores. “Foi quando me disseram sobre a falta de espaço na declaração de óbito”. Uma diretora da instituição foi além. “Ela disse que o caso do meu pai era o primeiro que eles tiveram conhecimento, mas que sabiam que outros apareceriam em breve”, relatou Diego.

Notificação da causa da morte nas secretarias de saúde que vão basear as estatísticas de mortalidade do Ministério da Saúde quanto base para obtenção da certidão de óbito nos cartórios. Se um paciente é internado por complicações da covid-19, a doença deve estar descrita no documento, explica Fátima Marinho, médica epidemiologista e consultora sênior da Vital Strategies, uma organização global composta por especialistas e pesquisadores com atuação junto a governos.

Sequência de complicações que levou ao óbito. Na covid-19, a pneumonia bacteriana é uma complicação frequente, que pode causar septicemia e um choque séptico. Nesses casos, o choque séptico é o modo de morrer”, salienta Marinho, que não teve acesso ao prontuário do paciente relatado nesta reportagem.

Serem complicações da covid-19. A orientação da OMS é que, caso o paciente seja internado pela doença causada pelo coronavírus, ela seja considerada a causa de morte mesmo que o paciente tenha câncer, desde que este não seja terminal. O câncer deve, então, ser relatado no segundo campo da declaração e não como a causa principal.



FONTE: BRASIL ELPAIS

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