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Bolsonaro vai à ONU com discurso menos estridente

 


Jair Bolsonaro na abertura da 76ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira. Isolado da arena internacional, o mandatário afirmou à CNN que pretende falar sobre meio ambiente, turismo, agronegócio e ações de sua gestão no combate à pandemia de coronavírus. Por mais equilibrada que seja sua fala, marcada para as 10h (horário de Brasília), dificilmente ela terá o poder, contudo, de apagar as desventuras do presidente brasileiro pelas ruas de Nova York nos últimos dias. Por não ter se vacinado até agora contra a covid-19, Bolsonaro não pôde frequentar lugares fechados. Comeu pizza com assessores na rua e levou uma churrascaria brasileira a improvisar um puxadinho para que ele pudesse frequentá-la.

Restaurantes, bares e outros locais fechados mediante a apresentação de um comprovante de imunização. No almoço desta segunda-feira, Bolsonaro comeu picanha bem passada na churrascaria Fogo de Chão, que teve de improvisar mesas na calçada para a comitiva brasileira. “Ele ficou na área externa, porque é a área permitida pra pessoas sem vacinação. Então arrumamos tudo pra ele poder vir almoçar com a gente neste dia do gaúcho. Ele fez questão de sentar do lado de fora, até porque do lado de dentro a gente não deixaria porque violaria a lei de Nova York”, afirmou Francisco Kappa, gerente geral da churrascaria, à BBC Brasil.

Agenda oficial durante o encontro com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. Com seu estilo bonachão, Johnson incentivou os jornalistas a se imunizarem, de preferência com a vacina produzida em Oxford. “Eu tomei AstraZeneca. Ótima vacina. Tomei duas vezes”, propagandeou o primeiro-ministro ao lado de um sorridente Bolsonaro, que, questionado pelo premiê britânico, disse que “ainda não” havia se imunizado. Bolsonaro diz que só irá se vacinar após o último brasileiro ter tomado sua dose, num posicionamento dúbio, que reverbera a desconfiança de seus seguidores entre outros direitistas pelo mundo em relação a vacinas produzidas de forma tão rápida.

Rendeu ao presidente brasileiro uma recepção calorosa em Nova York. Bolsonaro foi recebido com protestos na porta de seu hotel e levou um puxão de orelha do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, durante uma entrevista coletiva do democrata: “Precisamos mandar uma mensagem a todos os líderes mundiais, especialmente Bolsonaro, do Brasil, de que, se você pretende vir aqui, você precisa estar vacinado. E se você não quer se vacinar, nem venha, porque todos devem estar seguros juntos. Isso significa que todo mundo deve estar vacinado”.

Exteriores do Brasil em assembleias gerais. Ele assumiu a pasta em março com a expectativa de deixar de lado o extremismo de seu antecessor, Ernesto Araújo, e reposicionar o Brasil na arena internacional. Também foi ele quem escreveu o discurso que Bolsonaro vai ler na abertura da Assembleia Geral, mas o presidente garantiu que o texto foi revisado por ele e outros ministros e que também improvisará em alguns momentos. Seja como for, a ideia é tentar apresentar uma agenda positiva, como no caso da vacinação contra a covid-19.

Mais de 66% da população brasileira já tomou ao menos uma dose, e mais de 37% já tem a vacinação completa. Em lugares como São Paulo, mais de 66% da população adulta acima de 18 anos já está completamente imunizada. Depois de ser criticado internacionalmente pela forma como tratou a pandemia, o Governo quer se vangloriar dessa conquista, alcançada graças ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à pressão de governadores, como o paulista João Doria (PSDB), além da sociedade civil.

Distribuindo, de no final de outubro ter toda a população acima de 18 anos vacinada com as duas doses”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, nesta segunda-feira a jornalistas. Ao ser questionado se o país poderia acelerar a vacinação, ele ponderou: “Às vezes, acelerando demais, você pode escorregar na curva e sobrar”. Apesar de não ter dado mais detalhes, é provável que o ministro se referisse à determinação da pasta de suspender a campanha para adolescentes de 12 a 17 anos.

Discurso na ONU como palco para se firmar como umas das principais lideranças da direita internacional, após a queda de Donald Trump nos Estados Unidos. “Na próxima terça-feira, podem ter certeza que lá teremos verdades, lá teremos realidade do que é o nosso Brasil e do que nós representamos verdadeiramente para o mundo”, afirmou o presidente em tom desafiador a apoiadores na semana passada.


FONTE: BRASIL ELPAIS

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