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América Latina se divide em dois ritmos

 

Forçando a passagem de uma nova normalidade econômica. A região sofreu a morte de um milhão e meio de pessoas pela covid-19, enquanto a pobreza aumentou, a inflação subiu, o trabalho mudou e, com ele, a perspectiva do futuro. É nesse contexto em que ocorre a recuperação econômica, diferente em cada país, mas com um denominador comum: o impacto positivo dos estímulos fiscais implementados pelos governos.
 

Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano e que permite retratar a recuperação das economias em comparação aos seus níveis pré-pandemia. Os resultados evidenciam: aqueles que investiram em estímulos fiscais para ajudar a população desempregada estão na dianteira. Os que não o fizeram, porém, não só ficaram para trás, como, também, perderam crescimento potencial no futuro, dizem especialistas consultados.

Começo do processo de recuperação,diz Alfredo Coutino, analista especializado na região da Moody’s Analytics. A maioria dos países latino-americanos iniciou a ascensão econômica no terceiro trimestre do ano passado e, em julho, a maioria da região deu o sinal verde à reabertura das economias. “E o que vemos é que existem dois grupos de países: no primeiro estão o Chile, o Brasil e o Peru, já com nível de PIB próximo ao que tinham antes da pandemia. No segundo grupo estão os países mais atrasados, entre eles o México e a Colômbia”. O PIB do Brasil, do Chile, do México e da Argentina, combinado, representa 66% do PIB total da região.

Analista de dados, é que investiram uma grande quantidade de recursos em estímulos fiscais. Elementos que foram gastos por meio de uma combinação de programas, transferências diretas às famílias mais pobres, empréstimos a empresas, isenções de impostos e subsídios ao desemprego —este, em particular, uma estratégia que permitiu que os funcionários voltassem a trabalhar normalmente durante a reabertura, preservando a relação empresa-empregado.

Determinantes do crescimento a longo prazo, que nesse caso é a força de trabalho”, diz Sánchez por telefone, de Londres. “As pessoas incorporadas ao mercado de trabalho e o capital acumulado, em conjunto, determinam a capacidade instalada de produção de um país e, portanto, seu crescimento a longo prazo. Então, quando há alguma situação como a da pandemia, em que obrigamos a economia a parar para conseguir o distanciamento social e forçamos as pessoas a ficar em casa, é possível ver a destruição de capital”.

Menos destinou medidas de gasto adicional como porcentagem do PIB. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o México gastou 0,7% do PIB em medidas adicionais para conter o dano da pandemia e se negou a fazer isenções de impostos. Enquanto isso, o Chile destinou 14%, o Brasil 9,2%, o Peru 7,8%, a Colômbia 4,7% e a Argentina 4,5%. O Chile, por exemplo, gastou muitos recursos em seguro-desemprego e subsidiou parcialmente a folha de pagamento para evitar que as empresas quebrassem e os empregos não se perdessem. O Brasil também aumentou o gasto público. O resultado disso é uma recuperação mais rápida.

Grande e ter, ao lado, os Estados Unidos implementando um estímulo tão grande. No entanto, o México estaria melhor se o Governo tivesse implementado um estímulo fiscal maior”, opina Luciano Rostagno, estrategista de mercados para a América Latina do Banco Mizuho do Brasil. Autoridades norte-americanas diminuíram durante a semana prognóstico de crescimento para este ano de 7% para 5,9%. “O México foi cauteloso demais em seus gastos, e por isso a economia está sofrendo pela pandemia”.

São vistas nos dados recentes, mas também serão vistas futuramente. “O país perdeu crescimento potencial”, acrescenta Rostagno, se referindo à estimativa de quanto uma economia pode crescer sem sofrer problemas de inflação, “e a razão para isso é que não agiu para amortecer o choque da pandemia. Isso afetou o sentimento de negócios, o adiamento de investimentos e a perda da taxa potencial de crescimento”.

Economia até o surgimento de protestos maciços que se tornaram violentos e custaram dezenas de vidas. As rupturas geradas, considerando que os protestos duraram meses, impactaram a economia do país, dizem os especialistas. A Argentina, por sua vez, tem uma inflação acima de 50% nos últimos 12 meses, o que limitou o crescimento do país.


Mesmos problemas estruturais há 3 anos”, diz Coutino, “estiveram em recessão desde então e o país começou um processo de recuperação após a pandemia, no terceiro trimestre do ano passado, mas foi mais por um ricocheteio aritmético que ocorreu em praticamente todas as economias do mundo”.


FONTE: TECMUNDO

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