Misturar vacinas provoca boa resposta imunológica

 

Esforço científico junto com outros muito relevantes,para vencer a corrida contra o coronavírus. Sua visão de tudo o que aconteceu é suficientemente neutra e distanciada para continuar convencido de que o fármaco da AstraZeneca terá um papel relevante nos próximos anos, apesar dos raros episódios de trombose detectados em uma minoria das pessoas vacinadas. Mas isso não o impede de reconhecer que, como alguns governos decidiram entre eles, o da Espanha,a alternativa de combinar doses de fabricantes diferentes é segura e eficaz.


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Alguns países,como a Espanha, por exemplo, sobre a segurança e eficácia de combinar doses de vacinas de fabricantes diferentes. Concretamente, uma segunda da Pfizer aos pacientes que receberam a primeira da AstraZeneca.

E a resposta é que todas as vacinas que estamos usando na Europa geram uma resposta do sistema imunológico contra a proteína em formato de agulha do coronavírus [com a qual o vírus introduz seu material genético nas células humanas]. Não há dúvida alguma, em todos os casos é gerada uma boa imunidade. O que ainda não sabemos com certeza é qual é a melhor combinação. Qual vacina é preferível injetar primeiro. É isso que os novos estudos devem responder, para otimizar a mistura. O nosso, chamado ComCOV, terá respostas em um ou dois meses.

Alguns resultados publicados na semana passada mostram que, pelo menos na população adulta, a mistura de vacinas tende a provocar maior reação durante os dois dias posteriores à injeção. Obviamente, é algo que pode ser manejado e comunicado à população. Não sabemos por quê, mas os pacientes sentem-se um pouco pior após a segunda dose se ocorreu combinação de fármacos.

Sistemas de saúde públicos. Vimos isso em nossos respectivos países. Se não acontecesse, não haveria pandemia. E o único modo de detê-la é nos centrar na população adulta, os maiores de 50 anos, e nos mais vulneráveis em termos de saúde. De um ponto de vista individual, o paciente deveria aceitar a vacina oferecida, porque é assim que fica protegido. De uma perspectiva populacional, os grupos prioritários devem ser os primeiros, para recuperar nossas vidas e nossas economias e retornar à normalidade.

Como em outros países europeus, o fornecimento de vacinas é limitado. O esforço deve ser otimizado. Enquanto não tivemos dados sobre a combinação de vacinas, nos concentramos em dar duas doses do mesmo fármaco. Mas em nossos guias oficiais se admite que, na falta de fornecimento, se um paciente já deve receber sua segunda dose programada, pode ser injetado com uma vacina alternativa. Não acontece muito frequentemente, porque o sistema é bem organizado.

O processo para fabricar vacinas é também muito complexo, precisa de seis meses a um ano. Não é um produto químico, e sim biológico, muito difícil de ser feito. Muitos fabricantes, no começo, jogarão no lixo milhões de doses porque não conseguiram chegar à medida perfeita. Por isso no começo surgiram problemas na Europa com o fornecimento. Não porque o esforço não foi feito, e sim porque é realmente complicado produzir doses em grande escala. De modo que, se a solução de liberar patentes começar a ser colocada em andamento hoje, não solucionará o problema atual. Somente durante este mês por volta de um milhão de pessoas morrerão em todo o mundo pelo coronavírus. Mas continuo achando que a liberação de patentes é um objetivo necessário, porque precisaremos de doses em 2022 para pessoas que provavelmente sequer receberam sua primeira vacina.


FONTE: Brasil Elpais

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