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UTIs saturadas Sul adota medidas retritivas e dispersa

 


Circular pelas ruas entre 20h e 5h está restrito até o próximo dia 8 de março. Ao lado, a vizinha Santa Catarina seguiu medida semelhante, ainda que apenas aos finais de semana, e determinou que serviços não essenciais fechem entre 23h e 6h. No Rio Grande do Sul, passou a valer a chamada “bandeira preta”: até 2 de março, há também restrição de circulação e de funcionamento de atividades entre 20h e 5h. As medidas mais rígidas acontecem diante de um aumento exponencial de casos de covid-19 nas últimas semanas nos três estados do Sul do país e da preocupação com a situação dos leitos de internação, cada vez mais escassos. Uma realidade que se espalha pelo país, onde 17 Estados já estão com a a rede de saúde saturada e podem entrar em colapso ao mesmo tempo ao longo deste mês.

As novas cepas estão atingindo duramente a população”, afirmou o diretor de Gestão em Saúde da Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa), Vinicius Filipak, na coletiva de imprensa que anunciou as restrições na última sexta-feira. O Estado tem uma fila de 578 pacientes aguardando internação, seja em enfermaria ou UTI, e prevê abrir 258 novos leitos até a a próxima segunda-feira. Mas o diretor afirma que a situação é tão grave que “nem se os leitos fossem infinitos” haveria capacidade de atendimento. No Paraná, as duas novas variantes, de Manaus e do Reino Unido, já circulam.

35.000 habitantes, o município de Matinhos, no litoral, registrou 672 casos de covid-19 apenas nos primeiros dois meses de 2021 (uma média de 11 por dia), além de nove óbitos, segundo boletim divulgado pela Sesa. O número deste começo de ano não fica muito distante do acumulado ao longo dos 12 meses de 2020: a cidade havia registrado no ano passado 894 casos. Diante disso, o prefeito Zé da Écler (Podemos) já havia anunciado restrições locais na última quarta-feira (24), antes mesmo de o Governo decretar o lockdown.

Restringir a circulação de pessoas. Funcionários do órgão que pediram para não ser identificados informaram ao EL PAÍS Brasil que o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, queria “abrandar”o decreto 6.983/2021, que determinou o lockdown. Os laços do governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) com o presidente Jair Bolsonaro, ele próprio crítico das medidas de isolamento, é outro aspecto que pesa. “A área técnica prevaleceu, mas eles não acreditavam na restrição. Houve uma conversa mais séria e pesada. O fato é que o Governo do Paraná nunca foi um protagonista, de ir para cima em relação à pandemia, muito por causa desse alinhamento lá em cima [com a Presidência]”, disse um servidor.

Sem máscara. Na coletiva imprensa em que houve o anúncio das novas medidas, o secretário de saúde Beto Preto, porém, cobrou o Ministério da Saúde uma maior velocidade na chegada das vacinas (até agora, cerca de 300.000 pessoas foram imunizadas no Paraná). “Temos cobrado o Ministério da Saúde, com todo o respeito, para ter mais acesso à vacina. Temos equipes preparadas para imunizar”, falou.

Não vamos admitir desrespeito com encontros clandestinos e festas de forma deliberada. Vamos impor multa e prisão. Seremos extremamente rígidos com aqueles que não cumprirem o decreto”, disse, em um tom que destoa do que vem sendo usado pela família Bolsonaro nas redes sociais. Em Curitiba, na madrugada de sexta para sábado, um grupo grande de pessoas precisou ser dispersado com bombas de gás em uma região que concentra diversos bares, já que os frequentadores se recusaram a ir para casa.

Governador Eduardo Leite (PSDB) impôs o mesmo nível de restrição a todo Estado. O comércio não essencial opera apenas na modalidade delivery e a circulação fica proibida entre 20h e 5h, até o dia 7 de março. No Sul, o Estado é o que mais registrou óbitos acumulados até agora: 12.343 neste um ano de pandemia. A situação em fevereiro foi de recorde de média móvel de mortes: 84, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. O aumento foi de 54% só nos últimos 14 dias.

Suspensos desde às 23h de sexta-feira (26) até 6 desta segunda-feira (1), e está proibida a circulação nas praias. A medida se estende ao próximo final de semana. Mesmo com as regras, há registro de desrespeito nas praias, e a Polícia Militar precisou dispersar banhistas em points como Jurerê Internacional. Dados do consórcio de imprensa apontam uma alta brusca de mortes nos últimos 14 dias, seguindo o padrão do Rio Grande do Sul e Paraná. No dia 17 de fevereiro, 26 óbitos ocorreram por conta da covid-19. No sábado (27), foram 72, um crescimento de mais de 60%.

Hospital recebe muitos pacientes ao mesmo tempo precisando de internação. O tempo de permanência do paciente com covid-19 é de duas a três semanas, o que deixa o sistema muito saturado”, relata a infectologista e coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Infecção Hospitalar do Hospital Marcelino Champagnat, Viviane Hessel. O perfil dos pacientes também têm mudado, de acordo com a médica: mais jovens, na faixa dos 40 anos, vários internados em estado grave.

Estado, de acordo com Filipak, diretor de Gestão em Saúde da Sesa. “É extremamente grave”. No geral, explica Viviane Hessel, a mortalidade por covid-19 em UTIs varia entre 35% a 45%. “Não significa que quem vai para a UTI irá morrer, mas a chance de um desfecho fatal é maior. E mesmo com o aprendizado de lidar com a doença, há pessoas que respondem bem, e outras não”.



FONTE: Brasil Elpais

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