CONFIRA

Fiasco na distribuição da vacina da AstraZeneca

 


Pela empresa farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca tornou-se uma dor de cabeça para a União Europeia. O fiasco da produção da AstraZeneca desarranjou os calendários de vacinação da maioria das autoridades de saúde europeias. Mas o impacto de repetidos atrasos na distribuição do imunizante e as dúvidas surgidas sobre seus efeitos colaterais têm ramificações muito mais perigosas do que o mero adiamento de uma punção. O desastre ameaça frustrar a estratégia da UE para superar a crise sanitária e econômica, que se baseava em uma rápida campanha de vacinação em massa para conseguir, a partir de junho, a recuperação do setor de serviços e uma mobilidade quase normal.

Governos europeus que, um ano após o confinamento do primeiro semestre do ano passado, esperavam oferecer à população um sinal de alívio sanitário, social e econômico. A realidade é mais dura do que o previsto e todos os objetivos de saúde e econômicos da Comissão Europeia estão no ar após o tropeço das campanhas de vacinação neste primeiro trimestre e o risco de novos contratempos no segundo.

Nicolás González Casares, membro da Comissão da Indústria do Parlamento, um dos responsáveis pelo acompanhamento da estratégia vacinal. “Se a distribuição das doses não for acelerada no início do segundo trimestre, a Comissão enfrentará uma situação política explosiva, com uma onda de contágios em ascensão, uma população cada vez mais farta e governos que vão transferir a responsabilidade pelo desastre para Bruxelas”, prevê González.

Stella Kyriakides, não esconde a decepção com o laboratório anglo-sueco. “Com a AstraZeneca tem havido problemas contínuos”, lamentou Kyriakides na última quarta-feira, durante uma conversa com EL PAÍS e outros órgãos da mídia europeia. “Com a Pfizer-BioNTech, por outro lado, no início tivemos dificuldades, mas eles conseguiram aumentar sua capacidade de produção e têm sido muito mais confiáveis”, acrescentou a comissária.

Áustria à frente,que optou pela vacina da AstraZeneca e comprou poucas doses da produzida pela BioNTech.Os governos da Áustria e outros reivindicam a redistribuição das doses adquiridas, pedido rejeitado categoricamente pelos demais.

Realizará na próxima quinta e sexta-feira.O encontro pretendia repensar o futuro geoestratégico da UE (especialmente em relação à Rússia e à Turquia), mas fontes diplomáticas reconhecem que está a caminho de se tornar um gabinete de crise para tentar salvar as campanhas de vacinação.

Primeiro trimestre, ou seja, o suficiente para injetar as duas doses necessárias a 22% da população adulta do bloco europeu. E esperava uma avalanche de doses no segundo trimestre, de até 380 milhões, o que elevaria a taxa de vacinação para mais de 60%. A imunização viria acompanhada por um relaxamento das restrições de movimento e das medidas de confinamento. E iria propiciar este ano a retomada do crescimento econômico durante o primeiro trimestre (já descartado) e uma forte decolagem durante o segundo.

70 milhões de doses distribuídas (em comparação com 154 milhões nos EUA) e apenas 4,2% da população com as duas doses aplicadas de alguma das vacinas autorizadas até o momento (Pfizer-BioNTech, Moderna, AstraZeneca e Janssen). Neste primeiro semestre, a AstraZeneca planeja agora entregar 100 milhões de doses à UE, ou seja, 170 milhões a menos do que o prometido. Um total de 85 milhões de pessoas a menos do que o esperado (cada vacina requer duas doses).

Comissão para o segundo trimestre também corre perigo, já que há aumento dos contágios em grande parte da Europa e o retorno dos confinamentos em países como a França e a Itália. A partir deste sábado, 21 milhões de pessoas, um terço da população francesa, estarão sujeitas a medidas de confinamento por pelo menos quatro semanas. A medida força o fechamento de 110.000 estabelecimentos comerciais, segundo dados do Governo francês, mais da metade deles na região de Paris.

Semana na Alemanha, França e Itália, e alguns líderes, com a chanceler alemã, Angela Merkel, à frente, anunciaram a intenção de serem vacinados com a AstraZeneca. Mas resta saber se essa operação de imagem elimina o estigma da vacina anglo-sueca.



FONTE: Brasil Elpais

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