Dois acidentes simultâneos em motores de aviões da Boeing

 


Os mais recentes foram no último sábado: a queda de partes da fuselagem de um voo comercial em Denver (EUA) e a perda das pás da turbina de um cargueiro em Maastricht (Holanda), após falhas individuais em seus motores. Embora nenhum dos eventos tenha causado ferimentos graves, o fabricante anunciou a imobilização dos 128 aparelhos do modelo 777 com motor Pratt & Whitney (PW) o avariado em Denver,enquanto as autoridades holandesas investigam o que aconteceu com o cargueiro 747-400 (Jumbo), que após o incêndio de um de seus motores, também PW, espalhou pequenos pedaços de metal sobre as cidades de Meerssen e Maastricht. Duas pessoas ficaram levemente feridas.

Empresa que, como todo o setor, sofre com o colapso das operações por causa da pandemia e a grave crise de reputação que se seguiu a dois acidentes fatais em 2018 e 2019, na Indonésia e na Etiópia, respectivamente.

Dois lados do Atlântico a Boeing mal havia conseguido desfrutar alguns meses de alguma normalidade depois de receber, no final de novembro, autorização para retomar os voos de seu modelo 737 MAX, que estava em solo havia quase dois anos em consequência dos episódios fatais, com 346 mortos.

P&W 4000-112, foram imobilizadas em solo, confirmou nesta segunda-feira um porta-voz da empresa, seguindo a “recomendação” de suspender os voos adotada na véspera. A companhia aérea norte-americana United Airlines, protagonista do acidente; as duas maiores empresas japonesas, ANA e JAL, e a sul-coreana Asiana Airlines já haviam anunciado entre domingo e esta segunda-feira a imobilização desse tipo de avião em suas frotas. São praticamente todas as companhias aéreas que operam com este modelo. De acordo com a Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), apenas companhias aéreas dos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul usam o 777 P&W 4000.

Japão indicou nesta segunda-feira que já havia ordenado inspeções mais rígidas depois que um 777 que fazia a rota de Tóquio a Naha, na ilha de Okinawa, sofreu problemas com “um motor da mesma família” em dezembro. O tipo PW4000 é usado apenas nos B777s, embora a maioria dos aparelhos desta série esteja equipada com motores GE Aviation.

Segurança Aérea (EASA, na sigla em inglês) solicitou mais informações sobre esses motores, mas descartou a possibilidade de que os dois incidentes estejam relacionados. Por sua vez, a PW, que pertence à Raytheon —uma das mais importantes subcontratadas do setor de defesa dos Estados Unidos—, comunicou que está coordenando com os órgãos reguladores aéreos uma revisão dos protocolos de inspeção. De acordo com a primeira estimativa da FAA, a falha do avião de Denver parece ter ocorrido por causa das “pás ocas do ventilador que são exclusivas deste modelo de motor, usado apenas nos Boeing 777s”, disse Steve Dickson, administrador da FAA, em um comunicado.

Diretriz de aeronavegabilidade de emergência que exigirá inspeções imediatas ou intensificadas das aeronaves Boeing 777 equipadas com determinados motores Pratt & Whitney PW4000”.

O que saiu de Maastricht para Nova York, com um carregamento de produtos farmacêuticos, o fez em Liège (Bélgica). O de Denver, com 241 pessoas a bordo, voltou para o mesmo aeroporto, mas deixou a cidade suburbana de Broomfield repleta de resíduos perigosos, tendo um pedaço da fuselagem caído na porta de uma casa.

69 estão em operação e 59 em depósitos. Durante os quase dois anos de imobilização dos modelos acidentados na Indonésia e na Etiópia, o 737 MAX, a empresa perdeu cerca de 20 bilhões de dólares (109 bilhões de reais, incluindo indenizações às vítimas), além de 1.000 encomendas e um corte de funcionários de quase 19% somente em 2020.



FONTE: Brasil Elpais

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