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Chile expulsa 138 imigrantes detidos na fronteira

 


Vestidos com equipamentos de proteção contra a covid-19, 86 cidadãos venezuelanos e colombianos foram escoltados até o avião por policiais, enquanto outras 52 pessoas eram deportadas em ônibus para o Peru e a Bolívia no âmbito do chamado Plano Colchane, anunciado na terça-feira e com o qual o Governo de centro-direita de Sebastián Piñera procura enviar um sinal de tolerância zero para a imigração irregular.

Colchane, pequena cidade na fronteira com a Bolívia, com apenas 1.700 habitantes, em sua maioria descendentes de aimarás, localizada a quase 2.000 quilômetros de Santiago, e cujo acesso a serviços básicos como eletricidade, água potável e saneamento é inexistente ou disponível por poucas horas. Além disso, a crise se agravou com a morte de duas pessoas —de origem venezuelana e colombiana—, provavelmente causada pelas baixas temperaturas nesta área, situada a 3.600 metros acima do nível do mar e que nesta época do ano registra altas temperaturas durante o dia e termômetros abaixo de zero à noite.

Um momento de colapso, com 1.800 imigrantes”, o que ultrapassa a população total da região e causou a saturação dos serviços básicos de um município que já carece de infraestrutura (além de água e luz, farmácias e supermercados) para “poder responder às necessidades das pessoas, que têm tido seus direitos humanos violados”, acrescentou.

São pessoas que não cometeram crimes graves, que não têm família no Chile, que não são pais nem têm filhos aqui, e o que deve ser feito, como diz a lei, é que sejam expulsos. O que queremos com isto é enviar um sinal bem poderoso de que temos que ordenar o fluxo migratório por nossas fronteiras”, declarou o ministro do Interior, Rodrigo Delgado, que explicou que do total de expulsos apenas 11 tinham processos judiciais pendentes.

Realizada uma campanha muito intensa de divulgação ao exterior” para informar sobre as medidas que o Governo chileno está adotando. “Em particular, para quem entrar de forma irregular, será a expulsão”, frisou.

Colchane sem alternativas. É o caso de Jesús Eduardo García, que, segundo fontes municipais, iniciou sua jornada migratória há três anos e meio em Mérida, no noroeste da Venezuela, para se reunir com parentes que residem no Chile. “Como estrangeiros vemos que o Chile é um país de primeiro mundo, desenvolvido, que oferece mais oportunidades quando você consegue se legalizar”, disse à assessoria de imprensa da prefeitura.

Pandemia do coronavírus, cruzou para a Bolívia, onde contratou um tronquero, como são chamados os caminhões que entram no Chile com imigrantes por meio de passagens não oficiais. Mas quando chegamos a Colchane tudo piorou: “Tem sido um pouco difícil, a comida, o clima, a hospedagem, porque não tínhamos nenhuma proteção.”

García Choque pediu ao Governo que recorresse à diplomacia para encontrar uma solução para o problema. Choque qualificou o plano de La Moneda como “uma pirotecnia de comunicação que visa apenas proporcionar uma aparente tranquilidade à população chilena” perante uma crise “cada vez mais descontrolada”.

Autoridades não informaram os imigrantes expulsos sobre seus direitos. “Não lhes disseram que poderiam apelar aos tribunais do país para pedir um recurso de proteção ou de amparo. Estamos muito impressionados com a rapidez com que esses atos administrativos foram realizados”, disse ela em entrevista à TVN.



FONTE: Brasil Elpais

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