CONFIRA

A imunidade humana resiste às novas variantes da covid 19 - 2021

 


Os humanos possuem uma arma implacável ―seu sistema imunológico estimulado por vacinas com até 95% de eficácia. O vírus usa as armas que a própria natureza lhe dá: sua capacidade de sofrer mutações de forma totalmente aleatória, fenômeno que pode dar origem a novas versões de si mesmo que tenham vantagens para escapar da vacina.

Um trabalho realizado no país africano mostrou que os anticorpos ―proteínas do sistema imunológico capazes de bloquear a entrada do SARS-CoV-2 nas células― de pessoas que já passaram pela infecção têm entre seis e 200 vezes menos potência contra a nova variante detectada. Outro trabalho dirigido pelo microbiologista David Ho, da Universidade Columbia, nos EUA, mostra que os anticorpos das pessoas que receberam vacinas de RNA são entre seis e oito vezes menos eficazes contra essa mesma variante.

São responsáveis por esses efeitos. São apenas duas mudanças de uma letra por outra no genoma do coronavírus, que tem um total de 30.000 letras. Mas essas mudanças estão justamente na proteína S que o vírus usa para se ancorar nas células humanas, entrar nelas e usar sua maquinaria biológica para se reproduzir. Essas alterações fazem com que os anticorpos não se acoplem perfeitamente ao vírus e isso pode significar que eles perdem parte de sua capacidade de impedir que entre nas células.

Cerca de seis vezes menos eficazes na neutralização da nova variante do vírus. A boa notícia é que, mesmo assim, a vacina continua sendo eficaz e provavelmente impedirá o coronavírus de causar a doença. A empresa anunciou que já está desenvolvendo uma nova versão de sua vacina projetada especificamente para neutralizar as novas variantes. A BioNTech/Pfizer observou que pode desenvolver novas variantes de sua própria vacina em menos de dois meses. Ambas as empresas demonstraram que a variante do Reino Unido, a terceira preocupante por ser mais contagiosa, responde igualmente bem às vacinas.

Paul Beniasz, virologista da Universidade Rockefeller e coautor de um dos estudos sobre as novas variantes. “Mas esse processo”, adverte, “provavelmente levará anos”. “À medida que as pessoas forem sendo imunizadas com a vacina ou com a infecção, haverá menos casos graves nos hospitais. Isso não significa que o vírus mude. É altamente improvável que evolua para se tornar mais ou menos virulento. No final acabaremos em uma situação em que todo mundo será infectado desde criança e voltará a se infectar mais tarde, mas com sintomas muito leves ou inexistentes”, explica.

Pode morrer de covid-19 já estará vacinada. É importante entender que isso provavelmente a salvará do coronavírus, mas pode não impedir que o vírus entre em seus corpos e que possam transmiti-lo. Daí a suposição de que o SARS-CoV-2 nunca desaparecerá, mas se tornará um vírus endêmico.

Relativamente imperfeita proporcionada pelas vacinas ―que possuem uma eficácia entre 70 e 95%― e a chegada de novas variantes farão com que o vírus continue circulando, a menos que 89% da população seja vacinada. Com a nova variante do Reino Unido, esse percentual chega a impossíveis 130% da população, segundo explica Paul Hunter, virologista da Universidade de East Anglia (Reino Unido) e coautor do trabalho. “Nossa conclusão é que não é necessário alcançar a imunidade de grupo”, afirma. “Enquanto pudermos evitar que as pessoas morram de covid-19 é o suficiente e, para garantir isso, as vacinas atuais bastam”, acrescenta.

Todos os dados obtidos sobre anticorpos estão criando consenso sobre uma diminuição parcial da capacidade neutralizante em torno de 25%”, explica Carmen Cámara, da Sociedade Espanhola de Imunologia. “Ou seja, nosso nível de proteção cairá de 95% para cerca de 70%, percentual ainda muito alto”, acrescenta.

Estudos sobre as novas variantes é que contam apenas uma pequena parte da história. Esses trabalhos se baseiam na medição da potência dos anticorpos neutralizantes e o fazem em laboratório, não estudando o que acontece no organismo de pessoas infectadas ou vacinadas. Há um mundo de diferença.

O sistema imunológico possui muitos tipos diferentes de células altamente especializadas. Entre todas elas se destacam diferentes tipos de linfócitos T, glóbulos brancos que recebem um retrato muito detalhado de diferentes partes do vírus e que juntos funcionam como uma tropa de elite que é quase impossível que o vírus engane com uma ou mais mutações.

Antonio Bertoletti, da Universidade Duke. “Eles podem não evitar a infecção, mas impedirão a propagação do vírus de forma que você terá apenas um resfriado”, enfatiza. O imunologista publicou um estudo que mostra que depois de uma infecção ―e provavelmente também depois da vacinação― uma pessoa gera dezenas de linfócitos diferentes. Cada um ataca uma parte muito específica do vírus, impedindo-o de escapar.


FONTE: Brasil Elpais

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