CONFIRA

União Europeia corre para driblar falhas

 


A dureza da segunda onda de contágios, no entanto, coloca maior pressão sobre Bruxelas e as capitais para que mobilizem a campanha de imunização com maior rapidez. A Comissão Europeia, que aumentou em 100 milhões de doses (passando para 300 milhões) seu pedido à Pfizer-BioNTech, afirmou neste sábado estar “preparada para ampliar sua capacidade produtiva” e lembrou que, nas próximas semanas, serão aprovadas novas vacinas que já figuram em seu portfólio.

Mais de 60 projetos aspiram a se tornar o próximo imunizante e outros 172 estão em fases pré-clínicas. E desta vez têm referências. Vários ensaios atingiram a linha de chegada: Estados Unidos e Canadá deram sinal verde para as vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna, a União Europeia (UE) aprovou a primeira e prevê fazer o mesmo com a segunda na semana que vem; o Reino Unido já deu seu beneplácito à da AstraZeneca; a Rússia aplica a Sputnik V; e a China, a da Sinopharm.

Nunca foram empregados tantos recursos para o desenvolvimento de uma vacina. Não há centro de pesquisa, academia ou laboratório que não esteja trabalhando sobre a covid-19. E a produção industrial se multiplicou graças ao dinheiro público investido”, explica Rafael Vilasanjuan, analista do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e membro do conselho de administração da Gavi.

Tradicionalmente requerem anos. Agora começa sua aplicação, que impõe um planejamento e uma logística sem precedentes. “É um feito histórico. Nunca havia sido realizada uma campanha de vacinação universal, em âmbito mundial”, afirma Vilasanjuan.

Nos Estados Unidos e em alguns países da UE, o processo está sendo mais lento que o esperado: alguns, como a Alemanha, dizem que o abastecimento é insuficiente; outros, como a França e a Espanha, sofrem de problemas logísticos ou de organização. Mas as sociedades começam a ficar impacientes depois dos assustadores números que a pandemia continua deixando: 15 milhões de contágios e mais de 350.000 mortos em toda UE. Nos EUA, país mais afetado no mundo, já sao mais de 350.000 óbitos e 20 milhões de infecções.

Prometeu em seu discurso de fim de ano que não haveria mais demoras “injustificadas”, após uma semana em que apenas 322 pessoas foram vacinadas. “Todo francês que quiser deve poder se vacinar”, afirmou Macron, ante as acusações de estar atrasando a vacinação para convencer o potente coletivo antivacina francês.

Recebido os lotes esperados, o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, precisou pedir paciência. Spahn afirmou que a situação vai melhorar à medida que forem aprovadas as vacinas que estão nas últimas fases. Na próxima sexta-feira, de fato, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) prevê a aprovação da segunda vacina, a da Moderna. Bruxelas tem uma lista de pedidos de 1,3 bilhão de doses de seis empresas farmacêuticas (Pfizer-Biontech, AstraZeneca, Sanofi-GSK, Johnson & Johnson, CureVac e Moderna).

A segunda dessas empresas, cuja sede fica em Mainz (Alemanha), indicou a Bruxelas que se afaste da polêmica em seu país. Seu fundador, Ugur Sahin, criticou em entrevista a Der Spiegel a lentidão da Comissão Europeia e sua confiança de que todas as vacinas estariam disponíveis ao mesmo tempo. “Me surpreendeu”, afirmou. Sahin disse que a corrida entre a Europa e os EUA agora está criando um “gargalo” na produção.

Estados membros tivessem a vacina ao mesmo tempo. No total, a UE assegurou 1,3 bilhão de doses, das quais a Espanha deve receber 10%. Inicialmente parecem mais do que o necessário, mas nem todas sairão ao mesmo tempo. A Johnson & Johnson prevê que seu produto esteja disponível em março, enquanto a Sanofi-GSK anunciou que sua vacina vai demorar e a CureVac poderia ter a dela no verão europeu.

Já tem sinal verde no Reino Unido. Somada às da Pfizer e da Moderna, totalizaria 680 milhões de doses, que chegariam de forma contínua. Mas o subdiretor da agência, Noël Wathion, esfriou essa expectativa numa entrevista ao jornal belga Het Nieuwsblad, ao considerar que os dados de que a EMA dispõe ainda não são suficientes para conceder uma autorização condicional.




FONTE: BRASIL Elpais

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