CONFIRA

Minha pressa não é por vacina é por comida

 


Aglomeração em meio à pandemia do coronavírus. Muitos chegaram de madrugada para tentar conseguir uma das 3.000 senhas disponíveis para receber uma cesta de verduras, legumes e frutas. A fila quilométrica para conseguir a ajuda dava voltas no quarteirão e nem mesmo uma forte chuva pouco após o início da distribuição, que começou por volta das 14h, espantou os interessados. A ação aconteceu em meio a um protesto dos permissionários do entreposto contra o governador João Doria (PSDB) em virtude do aumento do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) para a cadeia produtiva dos hortifrutigranjeiros. Horas depois, o governador revogou as mudanças nas alíquotas de ICMS para o setor.

Atualmente tem o menor poder de compra em relação aos produtos da cesta básica em 15 anos. “Fiquei com medo dessa aglomeração toda, algumas pessoas sem máscara, se apertando para entrar, mas vim pela necessidade”, afirmou ela ao EL PAÍS já com uma sacola de plástico com alface, cenoura, tomate e algumas frutas. Pertencente ao grupo de risco do coronavírus, ela não vê a hora de receber a vacina contra covid-19 para “voltar a ter uma vida mais normal”. “A verdade é que o Governo está muito enrolado com essa vacina e os casos aumentando”, disse. Em São Paulo, o avanço da pandemia atingiu na última semana a maior velocidade desde agosto do ano passado. O Estado registrou aumento de 63% no número de casos positivos de coronavírus e 49% no de óbitos da doença.

Agradeço muito ter recebido essa cesta com legumes, mas tinha entendido que receberia uma cesta básica. A condução pra chegar aqui foi cara”, lamentava a moradora do Jardim Prainha, na zona Sul da capital paulista. A mesma reclamação era feita por muitos da fila, que acreditavam que levariam arroz e feijão pra casa. “A minha pressa é por comida, a vacina eu vou esperar, tenho medo dessa que estão anunciando, vou esperar para ser algo mais garantido”, explicou Oliveira.

Com o aumento de casos de covid, os meus clientes já não querem receber gente em casa. Eu mesmo peguei a doença. Atualmente, só trabalho duas vezes por semana, tenho 2 filhos desempregados e um especial que precisa de mais cuidados”, explica. Até dezembro ela recebia o auxílio emergencial, mas avalia que mais importante do que estender o benefício seria o Governo gerar postos de trabalho. “O que quero é poder trabalhar para me manter”.

Sindicato de permissionários da Ceagesp, contra a iniciativa do governador João Doria de promover aumento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços( ICMS) a partir desta sexta-feira (15) para alguns serviços e produtos da cadeia dos hortifrutigranjeiros. “Será uma forma de mostrar à sociedade a importância de todas as categorias envolvidas no abastecimento e o quanto a criação e o aumento de impostos sobre os alimentos prejudicarão as famílias que mais precisam”, disse a Ceagesp em um comunicado. De acordo com o sindicato, a medida do Governo que prevê um aumento de 4,14% do ICMS sobre frutas, legumes e verduras pode pode impactar o preço final de hortifrutigranjeiros em até 10%. No estacionamento da Ceagesp, caminhões exibiam faixas em protesto contra o Governador e o a alta do imposto.



FONTE: Brasil Elpais

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