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Comando do Rio - Paes anuncia receituário

 


Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), ao assumir seu terceiro mandato nesta sexta-feira na Câmara dos Vereadores. Esse assumiu o comando da capital fluminense no lugar de Crivella, que nos últimos anos fez uma gestão considerada caótica e de desprezo pela cultura local. Porém, Paes não contará dessa vez com a bonança econômica de seu primeiro mandato (2009-2012) nem com os investimentos bilionários que foram feitos para as Olimpíadas e que marcaram seu segundo mandato (2013-2016). Além dos problemas atuais deixados por Crivella, o atual prefeito terá de lidar também com o legado olímpico deixado por ele mesmo, o que inclui algumas obras urbanísticas mal executadas naquele período.

A fala foi uma clara referência a Crivella, que ao longo de quatro anos repetiu que havia recebido uma herança maldita. De volta à prefeitura, Paes afirma que seu Governo “vai olhar para frente” e “enfrentar os problemas”, sem “perder o rumo com eles”. Mas foi assertivo ao classificar a gestão Crivella: “Nunca na história da cidade do Rio um prefeito recebeu de seu antecessor uma herança tão perversa”.

44 decretos na área econômica que buscam promover cortes de gastos e suspensão de contratos para auditoria. Os decretos, já publicados no Diário Oficial, preveem cortes de cargos comissionados, suspensão de concursos públicos, proibição de que funcionários públicos utilizem carros oficiais para ir e voltar do trabalho, entre outras medidas. Também estão sendo preparadas uma lei de emergência fiscal, uma reforma da Previdência municipal e uma reforma tributária.

Dessa forma, o foco de sua gestão será “recompor o caixa da prefeitura, hoje zerado”, além de “recuperar o grau de investimento de 2016”. As medidas serão tocadas pelo secretário da Fazenda Pedro Paulo. Em entrevista à jornalista Míriam Leitão, colunista do jornal O Globo, ele afirmou que a situação da área da Saúde é ainda mais grave, o que motivou a intervenção no setor. “Precisamos abrir essa caixa-preta, porque ela é cara e sem transparência. É o único órgão da prefeitura cuja folha de pagamento ninguém sabe quanto custa, é uma folha secreta”, disse à colunista.

Sobre o projeto de emergência fiscal, o prefeito falou em “desindexar contratos, desvincular receitas, desobrigar despesas e ampliar o arcabouço de responsabilidade fiscal”, construindo “as bases de um novo marco legal que jamais permitirá que qualquer prefeito destroçar as contas de nossa cidade”. Em nenhum momento falou sobre redução de desigualdade social e pobreza num ano que promete ser de forte recessão econômica, com a pandemia de coronavírus ainda em pleno vapor.

Voltados para o tratamento de pessoas contagiadas. Paes também comunicou a criação de um comitê de especialistas “majoritariamente formado por pessoas de fora da prefeitura”, além de um “centro de operações de emergência funcionando dentro do Centro de Operações” da capital. Ele afirmou que dará “transparência total à ocupação de leitos hospitalares nas unidades do SUS”.

Paes assumiu o comando da capital fluminense prometendo “uma mudança radical nas práticas de administração pública”. Quer que o Rio “passe a ser paradigma nas formas de fazer política e gerir a coisa pública, referência nacional em transparência, integridade e combate à corrupção”.

Odebrecht nas campanhas eleitorais de 2008 e 2012, além de ter favorecido a construtora ao longo de seus mandatos. Na última vez em que se tornou réu, em setembro deste ano, Paes foi alvo de um mandado de busca e apreensão e acusado pelo Ministério Publico Eleitoral pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. Em outra ação penal, no âmbito da Lava Jato, é acusado de beneficiar a construtora Queiroz Galvão na obra do Complexo Esportivo de Deodoro, construído para as Olimpíadas. Ele nega todas as acusações.

Comissão de Investigação Preliminar para apurar supostas irregularidades na Prefeitura durante a gestão Crivella. O agora ex-prefeito foi preso preventivamente no dia 22 de dezembro e se encontra em prisão domiciliar. De acordo com o Ministério Público do Rio, empresários pagavam para ter acesso a contratos e para receber valores devidos pela gestão municipal, em esquema apelidado de “QG da Propina”.



FONTE: Brasil Elpais

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