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PIB tem queda histórica de 9,7% no segundo trimestre

 


Foram as quedas mais intensas da série, iniciada em 1996. O resultado inédito mostra o forte impacto da pandemia do coronavírus na atividade econômica e os efeitos das medidas de isolamento social. Com a retração, a economia brasileira entra em recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de encolhimento do PIB. A queda do primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado foi revisada para 2,5%, ante 1,5% inicialmente informado.

Puxada pelo forte recuo na produção de produtos duráveis ou semiduráveis, como automóveis e vestuário, respectivamente. O setor de não-duráveis, como alimentos e itens de higiene, no entanto, contribui para amenizar o resultado negativo.

70% do valor do PIB brasileiro, se retraiu 9,7% no trimestre. Já o setor da agropecuária apresentou variação positiva de 0,4%, puxada, principalmente, pela produção de soja e café. “Esses resultados referem-se ao auge do isolamento social, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para enfrentamento da pandemia”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Suficiente para impedir o recuo pela demanda por bens e, principalmente, por serviços, setor que que foi o principal motor do crescimento após a última recessão de 2015/2016. “O consumo das famílias não caiu mais porque tivemos programas de apoio financeiro do Governo. Isso injetou liquidez na economia. Também houve um crescimento do crédito voltado às pessoas físicas, que compensou um pouco os efeitos negativos”, afirmou Palis.

Sofreram um forte recuo de 15,4% ante os três primeiros meses do ano. Já as exportações cresceram 1,8%, enquanto as importações caíram 13,2%, especialmente com o dólar em alta desde o início do ano.

Foi, no entanto, um dos piores se comparado ao dos países da região que já divulgaram o PIB, como Chile (-13,7%), Peru (-30%) e México (-19%), e mesmo em relação a algumas economias europeias. “Há algumas diferenças no Brasil. Primeiro, o programa de transferência de renda para as pessoas mais vulneráveis, o auxílio emergencial, foi acima da média da região. Isso é consumo na veia, a renda das pessoas mais pobres aumentou, impedindo uma recessão mais profunda”, explica Silva Matos, economista e pesquisadora sênior da área de Economia Aplicada do FGV/Ibre. Ela aponta que também influenciou no resultado a forma como o Brasil enfrentou a pandemia. “Nós não fizemos um lockdown nem qualquer isolamento tão severo, como em países europeus ou até mesmo da região, o que permitiu o funcionamento de mais atividades”.

Três meses do primeiro semestre, porém desde abril, considerado o fundo do poço, a atividade aponta para uma recuperação. “Foi muito negativo em abril, menos ruim em maio e junho um pouquinho menos pior”. Segundo estimativas do Ibre, o cenário de retomada deve se manter nos próximos meses, mas em ritmo mais gradual, em função da cautela dos consumidores, em um contexto de mercado de trabalho muito fragilizado.

Deve também atenuar a queda do PIB deste ano. O presidente prorrogou o benefício para mais quatro parcelas (de setembro até dezembro) de 300 reais, metade do valor inicial de 600 reais. O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um breve discurso logo após o anúncio e disse que Bolsonaro “não deixou ninguém para trás” na concessão do auxílio. Sobre o resultado da economia no segundo trimestre, Guedes afirmou que os impactos já estão ficando para trás. “Estamos decolando em V”, afirmou o ministro, que acredita que depois da queda rápida da atividade, deve acontecer também uma alta na mesma intensidade.

Atividade no último trimestre e no próximo ano com a diminuição e fim gradual dos estímulos. “A grande pergunta é se o emprego irá voltar. Hoje ainda não temos a radiografia real da queda do desemprego, já que muitas pessoas ainda não estão procurando emprego por conta da transferência do Governo”, diz. Quase 9 milhões de postos de trabalho foram perdidos no Brasil no segundo trimestre. “A redução do auxílio nos próximos meses vai revelar como fica a economia, a capacidade de manutenção de consumo, de geração de emprego. O que parece hoje é uma dependência muito excessiva. E ano que vem não há espaço no orçamento para esses estímulos”. A economista estima que o país retornará ao nível de atividade do quarto trimestre de 2019, isto é, pré-pandemia, apenas no segundo semestre de 2022.



FONTE: Brasil Elpais

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