CONFIRA

Pandemia deixa sem tango as noites

 


Mundo inteiro aterrissassem neste agosto na cidade para competir no Campeonato Mundial de Tango e participar do festival. Pela primeira vez na história, sua presença terá que ser virtual, como também têm sido, desde março, as aulas e os espetáculos de uma dança declarada patrimônio imaterial da humanidade. No silêncio das noites da Buenos Aires sem tango, os trabalhadores levantam a voz contra a precarização do setor e exigem ajuda do Governo, enquanto se unem para sobreviver e planejar o desejado regresso.

Como são conhecidas na Argentina as salas de bailes de tango. Apagaram as luzes em março, e ninguém sabe quando poderão acendê-las de novo. Pelo menos quatro já fecharam as portas. Outras resistem como podem, apoiadas pela comunidade tanguera, que sente saudades do ritual de abraçar o parceiro e se deixar levar pela música na pista até de madrugada.

32 anos que chegou pela primeira vez a Buenos Aires em 2011 para competir no campeonato de tango e voltou sempre que foi possível, até que tomou a decisão de se mudar há dois anos. “Buenos Aires é a maior vitrine de tango do mundo. Do mesmo jeito que você pensa em ir a Los Angeles se for ator ou atriz, para os dançarinos de tango o centro do mundo é aqui”, afirma.

Existem 200 milongas, em sua maioria frequentadas por argentinos e residentes, e 14 casas de tango, destinadas ao turismo. Todas fecharam ao mesmo tempo, em 11 de março. “A única coisa que Buenos Aires tem é cultura. Como pode ser que o Governo não acompanhe?”, critica Bassan. Concordam com ele os dançarinos

Embaixadores de Buenos Aires. O tango atrai o turismo nos 365 dias do ano. Inclusive há pessoas que vêm só para dançar, mas depois, quando voltam, falam também dos vinhos, da carne. E alguns até abrem um lugar de tango em seu país. O Governo não leva isso em conta”, lamenta Grosso.

Evidente a vulnerabilidade e a precariedade de muitos de seus trabalhadores. “Há casas de tango que pagam formalmente 30% e o resto em dinheiro. Não existem feriados nem domingos, não existem dias livres nem férias remuneradas”, denuncia Bassan. Os dançarinos também não podem ir ao exterior para aumentar os ganhos que obtêm na Argentina.

Desde março nosso trabalho foi totalmente interrompido. Foram suspensos todos os projetos com a orquestra e com uma casa de tango”, afirma Benbassat. Outros profissionais sobrevivem graças a familiares, amigos e subsídios estatais como a Renda Familiar de Emergência.

Trabalho e com condições de trabalho difíceis, viu-se o desamparo sofrido por bailarinos, cantores e músicos de tango. É muito preocupante para nós”, diz Godoy, que em 2016 dançou com o então presidente norte-americano Barack Obama durante sua visita a Buenos Aires.

Buenos Aires explodiu no Festival e Campeonato Mundial de Tango, inaugurado na última quarta-feira. Diversos músicos e dançarinos se negaram a participar em sinal de protesto, ao saberem que alguns colegas tinham recebido a proposta de atuar grátis. O diretor artístico do festival, Gabriel Soria, nega essa acusação, mas admite que “alguns poucos artistas decidiram não participar” e respeita sua decisão.


FONTE: Brasil Elpais

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