CONFIRA

Chefe de gabinete de Fernández - Na Argentina

 


O chefe de gabinete (primeiro-ministro) do presidente Alberto Fernández diz que a Argentina sofre a crise da pandemia em cima de outra crise, a econômica herdada de Mauricio Macri, e defende a longa quarentena iniciada em 20 de março que ainda não terminou. Nesta entrevista, realizada em seu escritório na Casa Rosada, afirma que “o sistema de saúde não foi saturado e quem precisou de respirador teve um”.

Plena pandemia, quando os consensos são mais necessários, se dá prioridade a uma reforma tão conflituosa quanto a da Justiça?

Também nove tribunais. A hora é agora porque as prioridades definidas pelo presidente não devem ser adiadas por causa da pandemia. O que objetamos é que a oposição tenha antecipado seu voto contrário antes de ler o projeto. Este Governo sempre promoveu o diálogo. O presidente se reuniu três vezes com os blocos da oposição e as medidas contra a pandemia são tomadas em conjunto com os governadores, independentemente das cores políticas. O diálogo faz parte do DNA deste Governo. O presidente anterior [Mauricio Macri], em seus quatro anos de mandato, não se reuniu uma única vez com a oposição. Distribuímos assistência de forma equitativa entre todas as províncias.

4,45 bilhões de reais] e acrescentamos outros 50 bilhões. Em seguida, distribuímos 60 bilhões em adiantamentos do Tesouro Nacional. Estabelecemos o mesmo parâmetro de distribuição da lei de coparticipação, que regulamenta a repartição dos recursos federais. Não dizemos: para este sim, para aquele não.

Argentina estava praticamente em default, havia restrições cambiais, a situação fiscal era delicada e a inflação anual chegava a 54%. Tivemos que desenhar um novo mapa do Estado. Por exemplo, criamos um novo Ministério da Saúde. Nesse cenário, prorrogamos o orçamento e no final de dezembro aprovamos a lei de solidariedade social e reativação produtiva, estruturante para o nosso Governo. Começamos a mudar o arcabouço criado pelo macrismo, que concentrava os recursos econômicos em poucas mãos. E avançamos na reforma judiciária porque faz parte daquilo que nosso espaço político havia proposto.

Justiça seja independente. O presidente corrigiu pessoalmente o artigo que vinculava o Executivo aos serviços de inteligência. Isso mostra o caminho que queremos percorrer.

Em 3 de março, tivemos o primeiro caso de covid-19. Em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia. E em 19 de março o presidente decretou o isolamento social obrigatório. A partir daí fortalecemos o sistema de saúde.

Relação à quarentena. Hoje, a Argentina tem 87% de sua capacidade comercial e produtiva aberta. O que não existe é atendimento pessoal na administração pública, aulas presenciais, e depois existe o que está ligado à gastronomia ou ao esporte.

Temos quase o mesmo número de casos, mas na Argentina o sistema de saúde não foi saturado e quem precisou de respirador teve um. Isso, em determinados momentos, não aconteceu na Europa.

Não pensamos igual em todas as questões. Agora, segundo a imprensa dominante, isso coloca a institucionalidade em uma situação de tensão. Mas o fato de que os macristas se espionavam passou despercebido. Temos uma frente diversa e devemos nos alimentar dessa diversidade. Alberto constrói uma liderança consensual, não uma liderança de hegemonia.

Não foi entendido assim. Então reapareceu a fissura, e uma operação de resgate foi qualificada de autoritarismo e outras bobagens. Fomos obrigados a recuar porque o juiz que supervisiona o grupo determinou um mecanismo de trabalho inaceitável e manteve no comando aqueles que haviam cometido os desfalques.

A Comissão Europeia refletiu e percebeu que havia sido pouco solidária com a Grécia. Estamos muito satisfeitos com o que foi feito até agora [com os credores privados], economizamos muito dinheiro para a Argentina: tínhamos uma dívida de cem anos a 7% e isso acabou graças à reestruturação. Quando começamos a governar, as taxas de referência estavam em 70% e 80%, agora uma pequena empresa pode obter crédito a 24% ao ano. Estamos na crise da pandemia em cima de outra crise, a do macrismo.

Ministério da Saúde, a área mais exaurida pelo combate ao coronavírus. Espero que possamos aprovar a lei do aborto este ano.



FONTE: Brasil Elpais

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