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Leilão do 5G no Brasil é novo capítulo da guerra fria



Duas nações mais ricas do mundo em posições de confronto: os Estados Unidos e a China. Em jogo, um mercado que pode atrair até 180 bilhões de reais em investimentos para o Brasil, país que tem mais celulares que habitantes —são 225,3 milhões de aparelhos para 209,5 milhões de pessoas.

Alguns casos, com a promessa de financiamento do Governo Donald Trump. É o caso da sueca Ericsson, a finlandesa Nokia e a sul coreana Samsung. Elas, assim como a Huawei, são fornecedoras de equipamentos e serviços para companhias como Vivo, Claro, Tim, Oi e Algar. Esse quinteto, conforme informações do mercado e de técnicos do Governo Jair Bolsonaro, demonstrou interesse em estar no leilão. Atualmente, elas atuam nas redes 3G e 4G.

Comparável com as banda largas que haviam nas casas e escritórios. Foi a responsável por popularizar o acesso à internet móvel e chega a 95% dos 5.570 municípios brasileiros. O 4G, que veio de 2012 para cá e aperfeiçoou o tráfego de dados e acelerou a velocidade em até 100 vezes, chega a 75% das cidades. O 5G surge como um aperfeiçoamento da geração anterior e promete manter tudo conectado ao mesmo tempo, não apenas os computadores e celulares, mas também TVs, geladeiras, carros, máquinas de lavar, câmeras de segurança. É o que foi batizado de internet das coisas, com uma velocidade de até 20 vezes.

Segurança nacional e, portanto, deveria ter um cuidado redobrado por parte dos Governos. “É a guerra fria do século XXI porque se trata da escolha o padrão tecnológico de dados. É tão importante que vemos presidentes de vários países debatendo essas questões”, diz o ex-secretário do Ministério da Defesa, o economista Flávio Basílio.

Telecomunicações operem o 5G,As frequências a serem leiloadas são como estradas que hoje estão bloqueadas, mas que, a partir da autorização do Governo, os “carros” —ou dados— poderão circular por elas.

Argumento é de que a companhia chinesa não consegue garantir a segurança aos seus equipamentos, o que colocaria em risco a comunicação de temas sensíveis, passando pela área governamental, de defesa, de segurança pública e de relações exteriores. Assim como a comunicação feita entre os cidadãos comuns, como mensagens trocadas por aplicativos de mensagens ou e-mails.

Mostram que governos, operadoras e parceiros tiveram todo interesse em avaliar a Huawei de uma forma bastante intensiva”, diz o diretor global de cibersegurança e soluções da companhia, Marcelo Ikegami Motta. Com exceção dos Estados Unidos, nos demais países onde há 5G a Huawei está presente. A companhia é a maior do setor e tem negócios com 170 países no fornecimento de equipamentos e tecnologia para celulares e redes de internet.

Contratassem os serviços e equipamentos da Huawei. Além disso, determinou que os aparelhos que já estivessem em funcionamento deveriam ser retirados de operação até 2027. Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Grécia, tendem a seguir o mesmo caminho ou ao menos apresentar limitações à companhia chinesa.

Canadá sob a acusação de supostas violações da lei de sanções dos Estados Unidos. A partir de então, a empresa passou a ser acusada de espionar para o Governo chinês e de roubar segredos de concorrentes. Por isso, os americanos ameaçam bloquear parcerias no setor de inteligência com os governos que não limitarem a participação da Huawei em seus leilões.

Tese entre técnicos e políticos de Brasília de que o Palácio do Planalto está avaliando essa possibilidade de restringir a atuação em seu mercado, algo que seria inédito. “O Governo americano está dando exemplo de nacionalismo econômico. Aqui pode ser a mesma coisa”, diz o economista Arthur Barrionuevo Filho, professor da Fundação Getúlio Vargas.


FONTE: Brasil Elpais

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