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Em seis meses de busca por uma solução para covid 19



Coronavírus na cidade chinesa de Wuhan, vários grupos de cientistas iniciaram uma corrida contra o relógio para desenvolver a vacina contra uma doença que nem nome tinha àquela altura. Seis meses depois, já existem 163 vacinas experimentais contra a covid-19, e 23 delas estão sendo testadas em humanos, segundo o registro da Organização Mundial da Saúde. Nunca se viu nada igual.

EUA e da empresa farmacêutica Moderna passou com sucesso por seu primeiro teste em 45 pessoas. Os participantes vacinados com duas doses geraram níveis altos de anticorpos neutralizantes ― as defesas específicas do organismo humano que bloqueiam o vírus ― e não mostraram efeitos adversos graves, apenas sintomas leves, como cansaço, dor de cabeça e calafrios. Os resultados são “incríveis”, segundo o farmacêutico espanhol Juan Andrés, diretor técnico da Moderna, uma empresa biotecnológica com sede em Cambridge (EUA). “A segurança e magnífica eficácia continuam dando grandes esperanças para uma vacina em breve”, opina Andrés, cuja companhia dispara na Bolsa a cada anúncio.

Assumindo que a vacina funcionará e será segura, algo ainda longe de ser garantido. Em 9 de julho, os Laboratórios Farmacêuticos Rovi, de Madri, anunciaram um acordo com a Moderna para colaborar nas últimas etapas da produção de “centenas de milhões de doses” para abastecer outros países além dos EUA. O objetivo da empresa de Cambridge é fabricar entre 500 milhões e um bilhão de doses por ano em suas instalações norte-americanas a partir de 2021. Se for preciso vacinar a toda a humanidade duas vezes, seria necessário mais de uma década nesse ritmo.

A imunização da Moderna é como uma receita escrita em uma linguagem genética, o RNA, com as instruções para que as próprias células humanas saibam fabricar as proteínas da espícula do coronavírus ― responsáveis por sua forma de maça medieval ―, de modo a treinar o organismo sem risco ao sistema imunológico. Outras quatro instituições já começaram a testar em humanos suas vacinas experimentais de RNA, similares à norte-americana: o Imperial College de Londres, a empresa alemã CureVac, a biotecnológica chinesa Walvax e um consórcio formado pela alemã BioNTech, a norte-americana Pfizer e a chinesa Fosun Pharma.

Estratégia: é um adenovírus do resfriado comum dos chimpanzés, modificado para transportar as instruções genéticas para a fabricação da proteína da espícula do coronavírus. A AstraZeneca chegou a um acordo com a UE para administrar 400 milhões de doses a partir do final deste ano, mesmo reconhecendo que talvez a vacina não funcione. A empresa farmacêutica e a Universidade de Oxford já iniciaram um ensaio com mais de 15.000 voluntários no Reino Unido, Brasil e África do Sul para averiguar se a vacina é realmente segura e eficaz.

Resfriado comum, modificado geneticamente. O regime chinês aprovou há algumas semanas o uso militar desta vacina experimental, que ainda precisa demonstrar sua eficácia em ensaios com milhares de pessoas. O Instituto de Pesquisas Gamaleya, de Moscou (Rússia), também iniciou testes em humanos de uma vacina experimental parecida.

Acelerador ACT, para obter vacinas e tratamentos contra a covid-19 “em tempo recorde”. Seu objetivo é dispor de dois bilhões de doses até o final de 2021 para distribuir de maneira racional às pessoas sob maior risco, onde quer que estejam. Metade das doses seria reservada para países de renda baixa ou média. O consórcio pediu aos doadores internacionais 12 bilhões de euros (73,4 bilhões de reais) de maneira urgente para impulsionar a pesquisa de vacinas e tratamentos, mas apenas um terço deste valor foi alcançado até o momento, conforme alertou a OMS em 26 de junho.

ACT é a Coalizão para as Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), fundada pelos Governos da Noruega e Índia, a Fundação Bill & Melinda Gates, o Wellcome Trust e o Fórum Econômico Mundial. A CEPI financiou parcialmente o desenvolvimento de sete vacinas experimentais, que já estão sendo testadas em humanos, incluindo a de Oxford, a da Moderna e a da empresa alemã CureVac.

Outra linguagem genética, o DNA. O médico espanhol Pablo Tebas iniciou em maio os testes em humanos dessa vacina na Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia. Outras três entidades iniciaram ensaios de vacinas de DNA similares: a Universidade de Osaka (Japão), a empresa sul-coreana Genexine e a farmacêutica indiana Cadila Healthcare.

CEPI são de outro tipo, dito “de subunidades”, porque emprega fragmentos do próprio vírus. São as vacinas experimentais desenvolvidas pela empresa norte-americana Novavax, pela chinesa Clover Biopharmaceuticals e pela Universidade de Queensland (Austrália).

Trabalho encarregado de escolher as vacinas experimentais mais promissoras, para priorizar sua produção. O consórcio do Acelerador ACT, entretanto, é muito realista: “Embora haja uma carteira muito grande com 200 candidatos a vacina, seu desenvolvimento está ainda em uma fase prematura e muitos podem fracassar. Os desafios são consideráveis, e o sucesso não está garantido”.


FONTE: Brasil Elpais

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