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A luta dos entregadores de aplicativo contra os algoritmos



Brasil, a luta iniciada pelos entregadores de plataformas de aplicativo tem emergido com uma força especial. Símbolo do capitalismo desregulado, financeiro e de serviços, de estrutura leve e lucros abissais, as poucas empresas de aplicativo que controlam esse mercado encontram resistência por parte de trabalhadores auto-organizados que se mobilizam contra condições precárias de trabalho.

Uber, Rappi, Ifood, Loggi e outras menores, exercem um gerenciamento algorítmico obscuro e autoritário, impondo arbitrariedades na definição do ritmo, área de deslocamento, quantidade e valor do trabalho, sem reconhecimento de vínculo para negar direitos e possibilitar emprego pago por tarefas, com pagamento menor que o salário mínimo.

Porque não se adequam ao ritmo imposto de longas jornadas de trabalho, as perdas e represálias dos aplicativos tornam o trabalho não rentável—, a resposta tem sido a organização de protestos. Uma primeira paralisação dos entregadores no dia 1 de julho, conhecida como #BrequeDosApps, foi realizada com travamento em locais de saída de pedidos, mobilização na cidade, e uma importante quantidade silenciosa de entregadores que nesse dia não ligaram o aplicativo.

Mobilizações e boicotes também em Argentina, México, Chile e Equador, configurando já uma articulação internacional que enfrenta condições de trabalho parecidas. Nas duas paralisações, houve envolvimento de usuários, que boicotaram os aplicativos com avaliações negativas que baixaram consideravelmente sua “nota” nas plataformas de download. Vários restaurantes operaram sem encaminhar entregas com empresas de aplicativos.

Além do fim dos bloqueios indevidos e a demanda de auxílios ou licenças de saúde, acidente e distribuição de EPIs, que foi limitada. Com foco nas taxas, os entregadores apontam a valorizar o próprio trabalho, que tende a diminuir com a alta procura desta forma de renda, mesmo com um aumento considerável do lucro dos aplicativos. Frequentes penalidades econômicas, suspensão do cadastro ou dispensa sem justificativa nem claridade, acompanham a falsa ideia de parceria, na falácia de uma economia de compartilhamento que só compartilha com os trabalhadores os custos da sua própria manutenção e do equipamento necessário para realizar as entregas.

Breque, formada por Motoboys e Bikers que destacam não manter vínculo com partidos e sindicatos. Os bolsões onde se esperam os pedidos, os grupos de Whatsapp onde são trocadas informações sobre condições de trabalho e da rua, e a circulação na cidade com adesivos e panfletos nas bags que os entregadores mesmos tem que providenciar para trabalhar, tem funcionado como espaços de organização e modo de divulgar os protestos.


FONTE: Brasil Elpais

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