CONFIRA

Uma recuperação verde Latino-americana



Não só testemunhamos a dor de milhares de mortes, mas também o desamparo de milhões de trabalhadores que perderam seus empregos e famílias que não têm recursos para enfrentar as necessidades mais básicas.

Prelúdio do que o planeta pode enfrentar se não responder à emergência climática. Mais da metade dos latino-americanos vive nos chamados países de alto risco, encarando um futuro potencialmente dominado por migrações massivas forçadas, escassez de água e crises em setores econômicos inteiros. Apesar das advertências alarmantes da comunidade científica, de jovens, das comunidades quilombolas e de povos indígenas, não há reação por parte dos líderes mundiais. A América Latina, no entanto, não pode continuar esperando.

É possível pensar no aquecimento global, quando temos tantas outras prioridades —um sistema de saúde que não dá conta, o racismo e a desigualdade social, a pobreza que não para de crescer, a falta de planejamento urbano nos territórios mais vulneráveis e os empregos perdidos? Sim, é possível.

Exacerbam o sofrimento e prolongam as recessões. Hoje, precisamos que o Estado invista na recuperação econômica, e cumpra seu papel diante da pobreza e das urgências nos territórios periféricos, sejam eles rurais ou urbanos.

Público de nossa história será usado para tentar voltar ao passado ou, em vez disso, para pavimentar o caminho para um futuro mais humano e sustentável? Assim como demandam inumeráveis vozes na América Latina e no mundo, não há dúvidas: precisamos urgentemente de uma recuperação verde.

Paradigma da desigualdade social e da depredação dos recursos naturais que herdamos do passado. Não basta simplesmente ter um programa de investimento em energia limpa que deixe intacta a lógica do individualismo extremo e do extrativismo desenfreado. Pelo contrário, precisamos de um plano de transformação socioecológica que aborde as várias dimensões da crise.

Latino-americana, e não sobre a fragilidade da concorrência entre nossos países. Em um mundo globalizado, a unidade dos países de nossa região é fundamental para dialogar com o Norte Global e defender o futuro da América Latina. Além disso, é imprescindível impulsionar estratégias de desenvolvimento regional que permitam aproveitar as economias de escala e a coordenação de políticas públicas. Um futuro justo e sustentável exige que nossos líderes deixem de lado suas diferenças políticas e brigas pessoais, porque nossos países devem avançar juntos.

Territórios periféricos, agricultores familiares, comunidades quilombolas e povos indígenas, que são os setores mais afetados pela atual crise e por uma emergência climática. Justiça ambiental requer justiça social e lutar contra o racismo ambiental. Por isso, uma recuperação verde deve proteger as famílias e os trabalhadores durante a crise e investir em melhores condições de saúde, moradia e transporte para todas e todos. Esse custo não pode ser pago pelos trabalhadores, mas deve ser financiado com o apoio dos setores mais abastados.

Simplesmente cometer o erro de adicionar o sobrenome “verde” a qualquer medida de recuperação que tenha a ver com sustentabilidade, mas devemos implementar um leque de mudanças que chegue ao fundo do problema e transformem nosso modelo de desenvolvimento, para evitar uma catástrofe climática. Por isso, devemos ouvir a ciência para não decepcionar as gerações futuras.


FONTE: Brasil Elpais

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