CONFIRA

Um milhão de pessoas voltam a usar transporte



São Paulo, atividade considerada essencial durante a pandemia, ficou três dias internada em um hospital após sentir falta de ar e depois manteve uma quarentena em casa até melhorar. Moradora de Embú das Artes, a 30 km da capital, ela precisa se deslocar de ônibus, metrô e trem para chegar ao trabalho. “Nas últimas semanas, os transportes todos estão mais cheios, eu continuo com muito medo, mesmo já tendo contraído o coronavírus. Não sei se estou imune, tem gente que usa máscara, outros não, sinto que continuo me arriscando. Na empresa, nunca deram uma alternativa de locomoção, até porque sou terceirizada”, conta ao sair da estação de metrô de Pinheiros, na zona Oeste da capital paulista, e se dirigir ao terminal de ônibus, que estava relativamente vazio às 8h30 da última quarta-feira (3). Matheus Brito, de 24 anos, morador do bairro Jardim Ângela, na zona sul da cidade, também se sente inseguro ao se locomover de trem e ônibus para trabalhar. “No início da pandemia, sempre via funcionários higienizando os ônibus e metrô, mais distanciamento, mas agora já está cheio de gente, tem até trânsito. Parecido aos tempos normais".

Diário normal após o governador João Doria decretar as medidas de isolamento no dia 24 de março, a percepção de Gabriela e Matheus, de que cada vez mais pessoas voltam às estações e pontos de ônibus, é verdadeira. Segundo o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, a quantidade de usuários de metrô, trem ( Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e das linhas de ônibus intermunicipais vêm aumentando dia a dia. Do fim de março até o dia 3 de junho, a demanda saltou de 2 milhões de usuários para 3 milhões. Antes da pandemia era de 10 milhões. O número só tende a crescer com a reabertura gradual das atividades que será implementada esse mês. "Na última quarta-feira chegamos a 3.053.000, o maior número desde o início da quarentena. É um aumento de 50%, uma alta substancial. E a maioria dos usuários está concentrada no horário de pico, o que é um desafio para não gerar aglomeração”, explica o secretário. Para evitar novas contaminações da doença, a higienização dos veículos e estações foi intensificada. No caso dos trens a higienização é feita em cada ponto da linha e, no metrô, ao final de cada ciclo. Segundo Baldy, a frota que foi reduzida desde o início da quarentena, opera atualmente entre 65% até 100% da capacidade dependendo dos horários e demandas.

Tomar para voltar para a casa em Osasco, na região metropolitana, ficasse sempre cheia desde então. "Na obra medimos a temperatura, colocamos máscara, temos álcool em gel, me sinto seguro. O problema é quando preciso voltar. Todo dia pego o ônibus cheio, menos no sábado. É o momento mais arriscado. Mas melhor se arriscar do que não ter emprego”, completa.

E, quando constatada a necessidade de mais trens nas linhas ou ônibus na operação, eles são imediatamente incluídos para não ocorrer aglomerações e evitar a propagação do vírus. São Paulo é hoje o Estado recordista de casos da doença no país, com mais de 129.000 notificações e 8.560 mortes por coronavírus até quinta-feira, 4 de junho.


FONTE: Brasil Elpais

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