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Renan Antunes um repórter de coração



Gaúcho de Nova Prata, repórter independente, crítico e marginal, Renan Antunes de Oliveira. Sofreu uma parada cardíaca, em casa, no bairro Rio Vermelho, em Florianópolis, onde se recuperava de uma infecção pulmonar. A suspeita era covid-19.

Estava com a imunidade baixa e contraiu um patógeno. Ao ler a tomografia a equipe médica que o atendia no Imperial Hospital de Caridade, em Florianópolis, suspeitou que fosse o novo coronavírus. O Hospital de Caridade solicitou que Renan ficasse em isolamento em casa e receitou tratamento com coquetel à base de hidroxicloroquina e azitromicina motivo de preocupação para Renan. Ingerindo imunossupressores em função do transplante de rim e muito bem informado, temia a denúncia da ANSM (Agência Nacional de Vigilância de Medicamentos Francesa), que relatou mortes por parada cardíaca em pacientes submetidos a estes medicamentos, contou sua esposa, a jornalista Blanca Rojas. No sábado, véspera de seu falecimento, cinco dias após o início do tratamento com as drogas, veio o resultado negativo para coronavírus.

O caçador das pontas soltas. Gostava de causas fora dos eixos, cenas engraçadas, crimes pequenos. Não passava panos na miséria. Não disfarçava a dor. Fez das coberturas internacionais sua maior aventura de repórter. Foi dos Andes ao Alaska, de Hong Kong a Berlim. Na China, escapou de ser deportado pelo Governo ao se acorrentar na embaixada. Preso no Irã, em 2001, foi levado para uma cadeia, encapuzado, e interrogado durante 30 horas com guardas brincando de roleta russa com sua cabeça. Conheceu o Brasil farejando pautas complexas. Cobriu o conflito em Raposa Serra do Sol, tiroteios no Complexo do Alemão, apurou histórias na calçada da Boate Kiss.

Ter estado em lugares tão altos quanto o Tibet, tão complicados quanto o Afeganistão, tão calmos quanto o santuário catarinense de Madre Paulina. “Busquei personagens em Bagdá e na cidadezinha de Mariluz, em Tegucigalpa e Sarajevo, no Timor, Tailândia, em Paris e em La Realidad, vilarejo mexicano. Estive em mesquitas da arábia, sinagogas americanas, monastérios tibetanos e catedrais de Roma. Se tivesse alguma crença em Deus, teria tentado entrevistá-lo”.

Teimosia de mula. Rebelde incorrigível, foi processado em cinco Estados, preso em quatro países e expulso de dois. Muitos leitores não o conheceram porque bateu de frente com os donos de quatro dos sete maiores conglomerados de comunicação do Brasil.Virou um pária na mídia.

Fez greve de fome em busca de aumento para os funcionários repórteres, diagramadores, fotógrafos,todo povo que rala muito e paga a conta. Liderou revoltas contra os patrões. Primeiro em Brasília, depois em Santa Catarina.

Televisões e as rádios BBC, de Londres, Internacional, da China, Farroupilha e SBS, da Austrália. Faliu duas vezes, recusou cargo irrecusável na Globo e, nos últimos anos, escrevia para site Diário do Centro do Mundo (DCM).


FONTE: Brasil Elpais

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