CONFIRA

Pandemia apaga os três faróis econômicos



Bloco na última meia década, contrapondo-se à atonia brasileira e mexicana e à eterna crise argentina, foram freados a seco pelo avanço do coronavírus. As limitações ao deslocamento interno de seus cidadãos deprimiram o consumo, e o menor apetite dos compradores de matérias-primas secou um mercado externo que também é crucial para sua economia. O resultado: embora não sejam as economias mais afetadas pela pandemia, estão entre as que mais despencaram no quadro macro em comparação ao cenário pré-coronavírus. O crescimento previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no começo do ano —alta de 3,6% para a Colômbia, 2,6% para o Peru e 3% para o Chile virou passado. A previsão agora é que o PIB na Colômbia se contraia 2,4% (ou 2,6%, segundo a Cepal), e 4,5% nos outros dois. Sua estrela se apagou. Ao menos, temporariamente.

Cada dia com o que vai acontecendo, e muitas vezes temos fenômenos de eco [entre organismos] quando há reduções”, observa Martín Rama, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, deixando entrever que a sacudida final pode ser menor que a prevista inicialmente. O golpe, admite, será severo para os três países que até agora puxavam o trem regional. “Mas também continuam sendo as economias mais sólidas e com maior margem fiscal. Têm reservas, uma dívida [pública] baixa e capacidade de acesso aos mercados financeiros”. E são, também, as que podem adotar as políticas mais sólidas de apoio à economia, “as mais semelhantes na região às das economias avançadas”, salienta Rama em entrevista telefônica ao EL PAÍS. No plano monetário, os movimentos também são relevantes: Colômbia e Chile foram, com a Costa Rica, os únicos países do subcontinente a lançarem programas de compra de dívida para aliviar as tensões nos mercados e favorecer o financiamento do setor público.

Funciona a covid-19 e poderemos contê-la com menores custos sobre a economia. E os três motores do mundo (Estados Unidos, Europa e China) lançaram pacotes de estímulo muito grandes: caso se recuperem bem e a epidemia for contida, a demanda externa melhorará e também melhorará a situação da América Latina”. Os países com pior recuperação na região, diz, serão aqueles onde as empresas deixarem de pagar suas dívidas maciçamente e os bancos apresentarem problemas em seus balanços. “Mas a Colômbia, o Chile e o Peru não deveriam estar nesse grupo, de modo que sua recuperação também deveria ser mais rápida depois”, prevê o chefe de análise do Banco Mundial para o subcontinente.

Dentada do coronavírus já se fez sentir. Nesta semana, o Governo de Iván Duque prorrogou até o final de maio a vigência de uma quarentena nacional que já dura quase dois meses, mas também insiste em recuperar a “vida produtiva” mediante uma reativação econômica escalonada, iniciada há cerca de duas semanas. Setores como a construção civil, a indústria e alguns comércios estão autorizados a funcionar sob certos protocolos.

Boa posição relativa antes da chegada da covid-19 para mudar tudo. Começou 2020 com os melhores números entre os países grandes da região, mas no primeiro trimestre sua expansão caiu para 1,1%, uma cifra que já refletia um impacto do vírus maior que o esperado, embora os confinamentos mais rigorosos acabassem de começar. O crescimento dos dois primeiros meses superava 4%, mas a incerteza de março, quando a quarentena teve início, bastou para frear esse impulso.

A reabertura da economia vem acontecendo com um temor descomunal, porque, diferentemente de outros países, aqui não passamos o pico [da epidemia]”, afirma. “Ter jogado a cartada da prudência e ter, em termos práticos, um confinamento de nove semanas é violento para a economia”. Os espasmos da pandemia se somam à queda dos preços internacionais do petróleo, o principal produto de exportação do país. Por esses motivos, o Ministério da Fazenda prevê uma desaceleração em torno de 5,5% para este ano. Causa especial preocupação uma taxa de desemprego tradicionalmente alta, que no ano passado voltou a se situar acima dos dois dígitos (10,5%) e que o coronavírus ameaça levar para mais de 20%. Também há sinais preocupantes no flanco da pobreza e da desigualdade: um estudo da Universidade de Los Andes adverte que a crise pode causar um retrocesso de duas décadas, de volta a uma época em que quase metade da população se localizava abaixo da linha da pobreza —em 2018, havia caído a 27%. Apesar dessas cifras, a economia colombiana se distingue por sua resiliência, pois continuou crescendo inclusive em grandes crises, como a de 2008-2009 ou com a queda no preço das matérias-primas.

Múltiplos elogios a María Antonieta Alva, a jovem ministra de Economia no Gabinete de Martín Vizcarra. São 26 bilhões de dólares (143,8 bilhões de reais) destinados, em boa parte, a injetar liquidez nas empresas e entregar subsídios a 2,8 milhões de famílias vulneráveis. Deparou-se com obstáculos, entretanto, como os baixos níveis de uso dos serviços bancários. “No seu desenho é magnífico, mas em sua logística ainda está tendo problemas para chegar a todos”, avalia Hugo Ñopo, pesquisador principal do Grupo de Análise para o Desenvolvimento (Grade).


FONTE: GLOBO ESPORTE

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