CONFIRA

Apagão de respiradores e o medo de ter mais



Respiração das pessoas que chegam em estado grave em hospitais públicos do Rio. Ela é fisioterapeuta e trabalha em três hospitais na capital carioca, dois deles de campanha. Quando pegou o coronavírus, há três semanas, sua maior preocupação foi imediatamente identificar que hospitais atendiam seu plano de saúde e dispunham de profissionais experientes que a pudessem entubar rapidamente caso lhe faltasse o ar. "Porque até hospitais particulares não estão com tanta gente experiente assim. Graças a Deus não precisei”.

Falência respiratória. Se não consegue entubar em tempo hábil, poderá ter parada cardíaca porque ficará com oxigenação muito baixa. Se entubar rápido, volta sem nenhuma lesão. Mas para entubar rápido precisa de alguém experiente.

É por isso que para quem entende de respiração como Josy Silva, um novo medo, totalmente racional, está lhe aterrorizando agora que voltou ao trabalho, no momento em que a pandemia está ainda pior do que quando ela se isolou para se curar da covid-19: “Eu temo que chegue o momento em que meu pai e minha mãe precisem de um respirador e não tenha. Precisar de um mínimo de assistência e não ter. Ver as pessoas morrendo na rua, como está acontecendo lá fora”.

Subsecretário de saúde preso no Rio porque fechou contratos milionários suspeitos para a compra dos equipamentos. Mas a realidade dos respiradores, quando se foca no que isso significa no combate à pandemia e não à corrupção, a situação é muito mais grave do que sugerem os casos de polícia.

Governo federal e que chegou a receber durante as obras a visita de Bolsonaro, está pronto mas não tem UTIs. Você leu certo. Sem UTIs. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, disse que o governo federal informou que não tem como entregar os equipamentos para ativar os leitos intensivos. Leia-se, não tem respiradores.

15.000 respiradores da China. Cancelou o contrato no meio do mandato relâmpago do ministro Nelson Teich, alegando que o fabricante não iria entregar no prazo. A entrega deveria ter começado em abril. O agora ex-ministro Teich passou então a se apegar à produção nacional, que vai fornecer 14.000 respiradores em contrato fechado ainda na gestão do outro ex-ministro, Henrique Mandetta.

A matéria-prima é importada. E a matéria-prima importada é nada mais nada menos do que um dos principais componentes de um respirador: a válvula. Assim como os respiradores já prontos, a válvula, que é uma espécie de processador do computador anexado ao respirador, virou artigo de luxo na competição internacional pela compra dos equipamentos.

Mesmo com o aporte de capital, continuará com capacidade limitada e por isso parte da produção está sendo feita na Flextronics, que é uma linha industrial de produção no interior de São Paulo. Mas para fabricar em outra fábrica, tem a tal curva de aprendizagem. Outro problema é que dezenas de liminares pelo país estão confiscando os respiradores.

Contrato entrou em vigor, a indústria nacional entregou apenas cerca de 550 respiradores para o governo federal, que tem melhores condições de avaliar que cidades e estados precisam receber respiradores com mais urgência. Quando Mandetta era ministro, ele não se cansava de dizer que não era obrigação do ministério comprar os tais respiradores e recomendava aos estados a correrem por fora, tentando comprar diretamente. Mas mesmo os governadores que conseguiram fechar contratos relevantes estão com dificuldades.


FONTE: Brasil Elpais

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