CONFIRA

Ibaneis Rocha Ministro Mandetta


São 289 casos para cada 1 milhão de habitantes, um índice considerado alto, mas ainda quase a metade do Amazonas, que lidera o ranking no país. Em Brasília e suas regiões administrativas moram 2,5 milhões de pessoas, e até esta terça-feira havia a confirmação de 881 pessoas infectadas e 24 mortes, o que coloca sua taxa de letalidade em 2,7% (ante 6,4% do índice nacional). Na avaliação do Ministério da Saúde, o DF está entre as sete unidades da federação próximas a entrar em uma fase descontrolada de contaminação. Ainda assim, o governador Ibaneis Rocha (MDB) demonstra tranquilidade para ampliar o afrouxamento do isolamento social que ele impôs por decreto desde a segunda semana de março. Segundo ele, a adoção rápida do confinamento deu tempo para o sistema de saúde local se preparar para a fase de pico, prevista para o fim de abril. “Não tenho dúvida nenhuma que surtiu efeito. Chegamos a ter dias com 80% de isolamento social. Isso ajudou muito para não estarmos em uma situação incontrolável hoje”, afirmou ao EL PAÍS. Foi o primeiro governador do país a adotar a postura indicada por autoridades sanitárias, mas repudiada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que demitiu seu ministro da Saúde na semana passada exatamente por essas divergências.

Governadores com críticas ao presidente a mais recente, assinada por 20 governadores, manifestou apoio aos líderes da Câmara e do Senado e repúdio aos protestos com viés antidemocráticos realizados no domingo, com a presença do presidente. Com quase tudo fechado desde 12 de março, nas últimas duas semanas, Ibaneis autorizou a abertura de feiras livres, lojas de móveis e eletroeletrônicos, além de óticas. Até 4 de maio, deve abrir o restante do comércio. E, no começo de junho, autorizará o retorno das aulas nas redes públicas e privadas. Diz não sofrer pressões para fazê-lo antecipadamente. A seguir, os principais trechos da entrevista, concedida por telefone.

Equipamentos dos hospitais. Isso tudo até a chegada da covid-19. Depois, parece que ele foi colhido por um vírus político e entrou numa divergência com o presidente e esqueceu da condução e do tratamento do coronavírus no Brasil como um todo. Tínhamos condições que eram previsíveis em todo o país. Saber que São Paulo teria um colapso era uma coisa natural. Saber que Brasília corria um risco, em virtude de sua condição de ter embaixadas, o Congresso Nacional, abrigar a Presidência da República era alguma coisa previsível também. Alguns Estados do Nordeste também. O Ceará por causa do turismo e Pernambuco pela atividade econômica. Tem algumas situações que poderiam ter sido identificadas e tratadas de um modo diferenciado. Não sou médico, mas com base em nossa equipe concluí que ele não tratou o vírus da forma técnica como deveria. O tempo que ele perdia naquelas entrevistas era um tempo que poderia ser utilizado tratando de estratégias de combate com os governadores e secretarias de saúde dos Estados. Eu, nesse período todo ele não tratou comigo nenhuma vez.

Distrito Federal foi com os meus técnicos. Montei minha sala de gestão, montei os meus modelos, com todos os dados inseridos e pelas previsões. Analisei os dados do mundo que deram certo e errado. Eu entendo que o ministro Mandetta poderia ter feito um trabalho diferenciado olhando para o Brasil como um todo. Ele se envolveu em uma guerra com o presidente da República e se esqueceu de um exército formado pelas secretarias de saúde dos Estados e municípios.

Me ajudou a resolver o problema da saúde do Distrito Federal. Hoje, temos quase 80% de cobertura na atenção básica, acabei com desabastecimento. Tudo isso foi ele quem fez. Mas, para o enfrentamento da crise com a agilidade que eu precisava, eu logo notei que o secretário Osnei não ia dar conta. Ele saiu, mas continua na minha equipe. Hoje, ele preside o hemocentro. Você tem uma pessoa para cada momento [Francisco Araújo Filho assumiu o comando da Secretaria de Saúde do DF]. O Mandetta foi num excelente ministro antes da crise, dentro da crise, entendo que ele não agiu bem.

Quero ver as ações. Em primeiro lugar, ele tem de esquecer a política, já que ele se coloca como um técnico. E ele tem de partir agora para uma união dos Estados. Tem de sentar com a equipe técnica dele e montar uma estratégia para os Estados para pensar na recuperação do Brasil como um todo. Como a crise se agravou em São Paulo, Fortaleza, Manaus, ele vai ter de adotar uma estratégia diferente. Se não o país não vai sair da crise.



FONTE: Brasil Elpais

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